Sobre a obra O Caminho
Passamos boa parte da vida perguntando onde fica.
Como chegar, qual direção seguir, quanto ainda falta?
Talvez porque imaginemos que o caminho seja uma coisa que existe à nossa frente, esperando para ser encontrada.
Buson nos oferece apenas uma cena.
Um homem trabalha a terra.
Outro aparece e pergunta pelo caminho.
Depois, desaparece.
Nada mais acontece.
O campo continua ali.
A terra continua sendo revolvida.
O céu permanece sobre os dois.
E, ainda assim, alguma coisa mudou.
Talvez o homem tenha simplesmente seguido a direção que lhe foi indicada e desaparecido na distância.
Ou talvez o haiku esteja nos deixando uma pergunta muito maior: para onde vai aquele que finalmente encontra o caminho?
Há algo profundamente humano em procurar respostas antes de começar a andar.
Queremos ter certeza, saber onde termina, reconhecer o destino antes mesmo de dar o primeiro passo.
Mas existem caminhos que só aparecem debaixo dos pés.
Não podem ser vistos inteiros.
Não podem ser explicados de longe.
Precisam ser percorridos.
Na paisagem desta obra, o bambu cresce ao redor desse caminho.
Durante muito tempo, seu movimento mais importante acontece onde os olhos não alcançam. Sob a terra, fortalece aquilo que um dia sustentará sua altura.
Só depois vem o crescimento que podemos ver.
Talvez nós também sejamos assim.
Há períodos em que parece que nada está acontecendo.
Dias em que avançamos tão pouco que chegamos a imaginar que permanecemos no mesmo lugar.
Mas nem todo crescimento acontece para cima.
Há tempos de criar raízes. De sustentar silenciosamente aquilo que ainda não sabemos que seremos capazes de alcançar.
Enquanto isso, um homem pergunta.
O outro lavra.
Há nele uma presença quase absoluta: mãos ocupadas, corpo no campo, vida acontecendo exatamente onde está.
Não procura o caminho.
Está nele.
E talvez seja essa uma das delicadezas escondidas no poema.
A felicidade que imaginamos adiante pode já estar misturada à terra que tocamos agora.
Nas raízes que ninguém vê.
No voo do pássaro na composição.
Nas pequenas coisas que repetimos enquanto esperamos que alguma coisa finalmente comece.
Na arte, os ideogramas 幸福人生 trazem consigo a ideia de uma vida feliz.
Mas aqui a felicidade não aparece como chegada.
Ela acompanha o percurso.
Talvez uma vida feliz não seja aquela em que finalmente descobrimos para onde ir.
Mas quando aprendemos a reconhecer os diferentes tempos do caminho:
o tempo de criar raízes,
o tempo de crescer,
o tempo de abrir as asas
e o tempo de desaparecer no horizonte.
Porque o caminho é a própria vida acontecendo.
Lavrando o campo
o homem que perguntou sobre o caminho
desapareceu
Yosa Buson
O Caminho
Haicai de Yosa Buson
Religare · Coleção "Caminho"
2026
Esta obra nasceu para a parede.
Algumas ideias pedem cor, paisagem e espaço para serem contempladas por inteiro.
Por isso esta obra existe apenas como pôster, impresso em pequenas quantidades.
Cada peça nasce quando encontra seu destino
As primeiras obras do Religare não permanecem em estoque.
Cada pôster é impresso especialmente para quem o escolheu.
Gostamos da ideia de que algumas coisas merecem nascer apenas quando encontram seu lugar.
Esta obra está disponível em
Pôster
40 × 65 cm · 59 × 95 cm
Impressão em papel fotográfico de alta resolução
o caminho · coleção "caminho"
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Que esta obra lhe lembre que o caminho
já começa onde seus pés estão.